A história da barba: Qual o significado da barba em diferentes civilizações?

PorVinicius Tamamoto 30 de junho de 2018

A história da barba tem muito a nos dizer sobre o modo de vida de várias civilizações antigas. Nos nossos dias, desde o começo desta década os homens têm cultivado com amor os pelos faciais, que voltaram a aparecer em personalidades de quase todas as áreas. Para alguns especialistas ligados em tendências, o amor pela barba estaria com os dias contados, mas o que se vê acontecer é, na verdade, uma renovação dos estilos.

Enquanto a popularidade do visual lenhador tem ficado um pouco datado, outras formas vêm ganhando mais e mais adeptos. O cavanhaque, por exemplo, comumente reservado ao papel do vilão de filme, tem ganhado força na Europa e nos Estados Unidos depois de ser esquecido nos anos 1990. Assim como a elegância da barba Van Dyke, popular entre os aristocratas de outrora.

A história da barba: o significado dos pelos faciais em homens de diferentes civilizações

A real é que as barbas tiveram muitos usos durante a história da humanidade. Na pré-história, os homens a usavam para se aquecer e também para proteger a boca de grãos de areia e outras partículas. Como a barba deixa a aparência do rosto mais agressiva, ela tornava os homens mais intimidadores na vida selvagem.  

Com o passar do tempo, os significados sociais dos pelos faciais foram se modificando. Entre 3000 a.C e 1580 aC, os faraós egípcios costumavam usar uma barba falsa feita de metal. O curioso é que eles se barbeavam meticulosamente, dizem historiadores e arqueólogos.

O acessório era usado por causa da religião. De acordo com o histórico Livro dos Mortos, o deus Osíris, responsável por julgar os mortos na vida após a morte, aparecia com uma grande barba falsa. Por isso, os faraós usavam o adorno com o objetivo de se unir ao reinado do deus. Até mulheres como Hatshepsut, que governou o Egito por 21 anos, honrou a tradição ao assumir o poder.

No antigo Egito: barbas falsas por causa de rituais religiosos

Na Mesopotâmia era comum que os homens usassem produtos como óleos para manter a boa aparência de suas barbas. Pode-se dizer que eram vaidosos, porque até aparelhos eram utilizados para frisar os pelos. Algo semelhante acontecia na Grécia antiga, onde os homens enrolavam as barbas para criar cachos. Sinal de honra, quem cometesse alguma infração poderia ter a barba cortada.

Cara lisa também virou moda

Enquanto na Turquia e na Índia a barba era sinal de sabedoria, os romanos antigos passaram a aparar os pelos. Lucius Tarquinius Priscus, rei de Roma de 616 a.C. – 579 a.C., é considerado o principal encorajador do uso de lâminas de barbear. Ele queria promover uma espécie de reforma higiênica na cidade.

Em 454 a.C., um grupo de barbeiros saiu da Sicília e instalou barbearias nas principais ruas de Roma. Assim, manter os pelos aparados começou a se tornar bastante popular entre os homens do período.

Para os anglo-saxões, a barba foi motivo de orgulho até o cristianismo ganhar força. No século VII, os homens do clero eram obrigados a se barbear. William, The Conqueror, que reinou de 1066 a 1087, também desestimulava o uso de barba. Foi só no período das Cruzadas que os pelos voltaram a figurar no rosto masculino. Por volta de 1500 a barba já estava em alta e os homens eram livres para experimentar diferentes comprimentos.

Pintura de Anthony van Dick: sobrenome batiza estilo de barba

No inicio de 1600, o pintor Anthony Van Dyke começou a retratar aristocratas com barbas pontudas. Eles usavam pomada ou cera para moldar os pelos,  os ajeitavam minuciosamente com pentes e desenvolveram utensílios para manter a forma da barba enquanto dormiam. Curiosamente, é um dos estilos em voga em 2018. 

Até hoje a barba causa certo fascínio nos homens (e nas mulheres). O comentarista cultural Ekon Eshun disse em entrevista ao The Guardian que a ascensão dos pelos faciais pode ser uma reação à independência das mulheres nos dias de hoje, uma busca pela reafirmação da masculinidade. Se a análise está correta é difícil afirmar, mas certamente o uso da barba tem mais a dizer sobre o nosso tempo do que parece.

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