Você conhece o vinho natural? Saiba mais sobre essa nova tendência

PorLucas Borges 23 de novembro de 2018

A onda das cervejas artesanais já deixou de ser moda para virar um nicho de mercado que veio para ficar, ganhando a atenção até mesmo de grandes marcas, que produzem seus próprios rótulos voltados para o público que quer tomar uma gelada (e nem precisa ser tão gelada assim, dependendo do tipo da cerveja) de maior qualidade. Agora, cresce mundo afora o consumo diferenciado de mais uma tradicionalíssima bebida: o vinho natural.

O que é o vinho natural?

Além de procurar, claro, um produto de qualidade, os adeptos do vinho natural buscam no produto o consumo mais consciente e mais saudável para o organismo, com uvas criadas sem uso de pesticida e uma bebida produzida sem conservantes e aditivos químicos.

O movimento do vinho natural nasceu na França, nas regiões do Morgon, Beaujolais e no Vale do Loire, e já tem um número grande de adeptos na Espanha e também na América do Norte. Em Paris, um aplicativo chamado Raisin (uva, em francês), te ajuda a encontrar aonde comprar ou experimentar garrafas do tipo. É possível comprá-los em adegas e sites especializados.

Frédéric Simon criou na província de Quebec, na parte francesa do Canadá, a vinícola Pinard et Filles. Em sua propriedade, nem mesmo tratores são utilizados para o cuidado e colheita das uvas, ainda que esse não seja um pré-requisito para o produto ganhar o título de vinho natural.  

Para Simon, cuja vinícola virou personagem de uma matéria da GQ dos Estados Unidos, o projeto não tem como principal objetivo o lucro: “É mais sobre um ideal de vida do que fazer algo para ganhar dinheiro”, disse à publicação.

Toda vez que a Pinard et Filles lança uma nova série dos seus vinhos naturais para as cinco lojas que os comercializam em Montreal, clientes começam a fazer fila a partir das 6h da manhã, mesmo que só sejam autorizados a comprar uma garrafa por pessoa, conta Simon. O produto também é vendido em bares e restaurantes, mas existe uma lista de espera.

Por não ser produzido em escala industrial e não conter aditivos químicos, o vinho natural está sujeito a algumas imprevisibilidades. Uma garrafa dificilmente vai ter o sabor da outra. “A primeira vez que você experimenta uma taça desse vinho, seu corpo sente algo diferente, você sente algo pelado”, diz o enólogo Pascaline Lepeltier.

O odor do vinho natural também pode ser surpreendente. “A ideia de que pode cheirar a cocô de cavalo e de que todo vinho natural fede é lenda”, garante Lepeltier. Alguns rótulos, de fato, podem ter um cheiro incômodo, mas isso não quer dizer que a bebida não está boa.

Menos ressaca e novas opções

Uma grande vantagem do vinho natural é o dia seguinte. Por ser menos químico, ele é muito mais fácil de ser digerido pelo organismo, além de possuir menos álcool do que os vinhos convencionais, provocando menos ressaca. Mas cuidado, isso não quer dizer que é possível beber como se não houvesse amanhã e acordar intacto.

Além de ser produzido a partir das uvas encontradas nos rótulos tradicionais, o vinho natural também faz sucesso com algumas variedades que fogem do convencional.  O pét-nat, por exemplo, é feito quando a bebida é engarrafada antes do fim da fermentação, a partir de qualquer uva, ganhando certa efervescência no final do gole.

O vinho laranja é uma espécie de vinho branco com mais taninos (componente do vinho tinto), com maior período de contato das cascas com o suco da uva. Combina com variados tipos de comida.

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