‘Os personagens são como eu e você: Cheios de qualidades e defeitos’

Por Dan Stulbach 28 de Março de 2018

Erros e acertos se confundem numa carreira. Quando comecei no teatro, consegui um protagonista, ganhei um prêmio e as portas da televisão e do cinema se abriram para mim. Mas preferi dizer não. Queria trabalhar como contrarregra e como iluminador num teatro porque acreditava que precisava aprender tudo antes de seguir. E me diga: isso é um erro ou um acerto?

As escolhas são nossos maiores erros e acertos o tempo todo. Ser ator é saber que você deve escolher o tempo todo. Acabada a participação em um projeto – como o Eugênio em A Força do Querer –, novos convites surgem. E qual projeto devo fazer? Qual desses dizer não? E de qual maneira dizer sim ou dizer não.

Ok, para não ficar tão aéreo assim, vou assumir uma qualidade. Um acerto meu, com certeza, foi ter sido sempre muito persistente nos sonhos, persistente com o meu trabalho. Sempre fui disciplinado, apegado e apaixonado pelo o que faço. Não perdi em mim o garoto que começou a carreira querendo fazer teatro. Ele ainda existe aqui, tantos anos depois, agora já aos 48 anos. E faço questão de respeitar esse Dan que vive dentro de mim desde o início. Quero ser fiel a ele.

Diferente do que você pode imaginar, mergulhar num personagem parte de coisas bastante racionais. Eu leio muito o texto do autor e separo muitos trechos do que vem escrito. A partir daí, vou eu mesmo escrevendo bilhetes e anotações: “Ah, o Eugênio é assim”. Costumo separar as qualidades e os defeitos. E, principalmente, isso: que meus personagens tenham qualidades e defeitos, nem só uma coisa nem só outra. É que nós seres humanos somos feitos dessas duas listas paralelas.

Num segundo ponto, estudo as reações. Faço uma porção de perguntas para ir montando a personalidade do personagem. Por exemplo: O que o Eugênio acha de si? Como as pessoas o enxergam o Eugênio? O que ele se sente em relação a uma determinada pessoa? E aquela outra, o que ele acha? Com isso, surge todo um painel. É assim que faço meu trabalho.

Faço rádio há 11 anos, passei pela ESPN, por programas da Rede Globo e sou ator de televisão, cinema e televisão. E o que falta na minha carreira? Muita coisa. Sempre faltam papéis para serem feitos, programas a serem apresentados, coisas a serem ditas. Em uma carreira, o que passa, já foi. Passou. O que falta em uma carreira – na minha e na sua – são as questões que você carrega. Falta encontrar novas formas de interpretar e de aprender. E para você, o que falta viver na vida profissional?

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