O que Leonardo DiCaprio tem a ensinar sobre carreira

PorRafael Nardini 23 de novembro de 2017

“A dor é temporária. Filmes são para sempre”. Essa “poesia” aí vem de ninguém menos do que Leonardo DiCaprio, um dos maiores atores de sua geração, e com uma carreira muito sólida em Hollywood.

Nascido em Los Angeles, em 11 de novembro de 1974, DiCaprio estreou no filme nada artístico A Nova Lassie, em 1989. Sim, aquele tradicional filme da Sessão da Tarde com a cachorra sabe tudo. Acontece que, já aos 19 anos, viria a primeira indicação ao Oscar por sua atuação em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador, em 1993. O mundo cairia aos seus pés quatro anos depois com o estrondoso Titanic e a história de amor entre Jack e Rose.

Daí para a chuva de memes e a longa e recorrente esnobada que sofreu do Oscar foi tudo muito meteórico. Alguns dos passos que ele deu até chegar ao topo do mundo você acompanha nas próximas linhas.

1. Traga quem te inspira para perto

Por mais que fosse um sonho muito, muito distante, em nenhum momento DiCaprio tirou os olhos do seu objetivo principal na carreira: trabalhar com o diretor Martin Scorsese. Quando, enfim, soube do projeto de Gangues de Nova York, Léo, então com 27 anos, colocou seus agentes para correrem atrás do papel.

“Marty é o grande diretor do nosso tempo, que me ensinou dois detalhes cruciais. Um: leva muito tempo e muita paciência para fazer um bom filme”, disse DiCaprio, certa vez, para completar na sequência: “E dois: o filme é uma forma de arte tão válida quanto pinturas ou esculturas. Por isso, em última análise, como qualquer artista, quero fazer obras de arte duradouras. Filmes que as pessoas vão assistir e apreciar pelos próximos 50 anos”.

2. Gere resultados constantemente

Vilão ou herói, na comédia ou no drama, DiCaprio sempre levou muita gente ao cinema. Claro, houveram falhas – a pior talvez seja J. Edgar, dirigido por Clint Eastwood -, mas oito de seus últimos 13 filmes atingiram os US$ 100 milhões de bilheteria nos Estados Unidos. Isso sem nunca ter participado de uma franquia de super-heróis da Marvel ou um espacinho em uma das mil sequências de Velozes e Furiosos.

Outros astros que conseguiram a façanha de serem rentáveis sequencialmente como DiCaprio deixaram no caminho a qualidade dos filmes. Os exemplos são Robert Downey Jr., Will Smith, Johnny Depp e Jennifer Lawrence. Todos protagonizaram franquias milionárias e menos independentes que Léo.

3. Abrace o que realmente ama

“Fico infeliz fazendo coisas com as quais não estou apaixonado”, admite DiCaprio. “Sinto que estou desperdiçando esse presente incrível que me foi dado de financiar filmes. Assim que meu nome sozinho foi suficiente para fazer os filmes acontecerem, prometi a mim mesmo que trabalharia com os diretores que estavam mudando o cinema, fazendo algo importante, sabe? Isso vem desde quando eu era adolescente, assistindo alucinadamente filmes como Taxi Driver e Apocalypse Now e dizendo a mim mesmo que algum dia iria fazer parte de filmes assim”.

4. Jogue sempre no limite

O diretor Alejandro González Iñárritu, de O Regresso, assina embaixo a vontade de Léo. “Assim como eu, ele está absolutamente obcecado com a perfeição total e fazendo o que for preciso para chegar ao próximo nível. Penso que nós dois sofremos da mesma doença, que é chamada de insatisfação crônica”.

“Ele queria provar a si mesmo, mostrar que ele era digno de seu sucesso”, afirma Kate Winslet, atriz que contracenou com DiCaprio em Titanic e Foi Apenas um Sonho. “E sei disso porque senti exatamente a mesma coisa. Quando a barra é colocada mais alta, você deve trabalhar 10 vezes mais para mantê-la por lá”.

5. O apoio de quem gosta de você é primordial

Muitas vezes, na hora de escolher uma carreira, as pessoas acabam esbarrando na necessidade de corresponderem às expectativas de outras pessoas, esquecendo de quem realmente são ou sonham ser. DiCaprio, no entanto, lembra com orgulho a reação de seus pais. “Eles me apoiaram incondicionalmente e me fizeram sentir que todos os meus sonhos estavam ao meu alcance. Por outro lado, conheço muitas pessoas que cresceram em famílias muito melhores, com estruturas familiares muito mais sólidas, e que de qualquer maneira não tiveram esse nível de amor em suas vidas”, conta.

6. Dinheiro importa, mas não é a meta central

“O dinheiro estava sempre em mente quando eu estava crescendo”, disse DiCaprio em uma entrevista. “Atuar parecia ser um atalho fora da bagunça”. Filho de pais separados e de classe média baixa, o ator sabia que era importante conquistar independência financeira. O que ele nunca esqueceu foi sua própria essência.

Já bem sucedido e milionário, DiCaprio deu um passo atrás e mostrou estar bem longe do personagem ganancioso que viveu em O Lobo de Wall Street. “No final do dia, não se trata de conseguir riqueza ou sucesso, porque eles não trazem felicidade. O que importa é se você cumpriu ou não a ideia de ter conduzido uma vida interessante e se você contribuiu de alguma forma para o mundo ao seu redor”, profetiza.

Aí entra o grande conselho entre iates e mansões de Hollywood: permanecer em um trabalho que você odeia porque o salário é muito bom é zero saudável. E o conselho vem de quem chegou lá criando o próprio caminho das pedras.

7. Nunca se apaixone por você mesmo

Com o sucesso estrondoso de Titanic, vieram hordas de fãs adolescentes, milhões de dólares, a admiração da indústria, contratos duradouros e uma adoração quase religiosa dos olhos azuis de Léo. Quem acompanhou o jovem astro de perto relata, no entanto, que nada disso parecia mover DiCaprio em caminho ao deslumbramento.

“Léo manteve os pés totalmente no chão”, disse Jerry Zaks, que dirigiu DiCaprio no drama Marvin’s Room, o último filme em que ele atuou antes de ganhar o mundo com Titanic. “Ele não tinha um ar diferente, nem atitudes estranhas, e nem aquele ‘jeito de diva’. E, acredite, nem sempre é assim”. Por mais bem remunerado que seja, no final das costas, cinema é mais um trabalho. E Leonardo DiCaprio sabe muito bem disso.

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