10 livros que todo homem deve ler o quanto antes

PorRafael Nardini 23 de Março de 2018

Há livros que não devem passar batidos nessa vida. São muitos, incontáveis. Variados em estilo, eras e temáticas. Nossa preocupação aqui foi equilibrar temas – amor, conflitos, tensões internas e externas -, eras, mas também reflexões e temas. O que une a lista é a atemporalidade dos temas propostos por seus autores e autoras.

Um exemplo é o sucesso retumbante da série Handmaid’s Tale, responsável por jogar luz no livro O Conto da Aia – que, atenção ao spoiler, está em nossa lista. O romance distópico da autora Margareta Atwood, que parecia destinado a ser um cult pouco conhecido mundialmente. 

Outros, como Cem Anos de Solidão, O Apanhador no Campo de Centeio e A Insustentável Leveza do Ser, falam por si e suas imensas qualidades literárias, já tão reconhecidas e lembradas por todos. É capaz que tenha passado por eles, ou por vontade ou por necessidade, já que eles não raramente aparecem em listas de concursos e universidades. Na outra ponta, um reconhecimento tardio de uma grande obra de Clarice Lispector e uma produção nacional recente e elogiadíssima do talentoso Julián Fuks

Foi assim que chegamos à nossa lista. Boa leitura.

10 livros que todo homem deve ler o quanto antes

1. The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade, de Colson Whitehead

A jovem escrava Cora, refém em uma plantação de algodão, decide fugir do patrão violento – e, para tanto, ela conta com a ajuda de uma ferrovia subterrânea que transporta escravos foragidos. Aclamado pela crítica por abordar um fato por meio da fantasia – a “ferrovia” existiu, mas não era literal: na verdade, era uma rede de pessoas que ajudavam escravos. O romance de Whitehead aborda de maneira única a escravidão nos Estados Unidos no século 19.

2. O Pintassilgo, de Donna Tartt

Aos 13 anos, Theo sobreviveu a um bombardeio terrorista no Museu Metropolitano de Arte em Nova York. A explosão matou a mãe do protagonista e, na ocasião, ele pegou para si a clássica pintura holandesa O Pintassilgo, de Carel Fabritius. A obra de arte se torna uma espécie de símbolo da mãe de Theo. É o único apego ao passado que ele tem ao tornar-se um criminoso no mundo da arte – e ao se envolver em uma conspiração também.

3. As Correções, de Jonathan Frazen

Neste romance, a família norte-americana Lambert sintetiza a crise de valores de uma sociedade. O pai e a mãe vivem longe dos três filhos. Cada um vive em uma região diferente do país, em aguda crise profissional ou pessoal. As Correções vai e volta no tempo, resgatando os altos e baixos do passado dos personagens. No presente, todos se alarmam com a crescente demência do patriarca.

4. A Resistência, de Julián Fuks

O autor brasileiro conta em A Resistência uma história pessoal. No enredo, um escritor investiga o passado dos pais, dois psicanalistas que deixaram a Argentina após o golpe militar de 1976. O personagem crê que seu irmão adotivo pode ser filho de desaparecidos políticos e decide descobrir sua origem. No processo, ele mergulha em um mundo de memórias, engajamento político e feridas do passado.

5. O Conto da Aia, de Margaret Atwood

Como define a canadense Margaret Atwood, O Conto da Aia é uma “ficção social”. A história se desenrola na República de Gilead – antes chamado de EUA. Na visão da autora, o país mais poderoso do planeta, em um futuro próximo, vive sob o poder de um governo religioso opressor e ditatorial. Offred, a narradora, é uma das poucas mulheres que ainda são férteis e, por isso, é obrigada a ser uma aia, ou seja, serve a um homem do alto escalão do governo para engravidar dele. Transformado em série, a cultuada Handmaid’s Tale, a história de Atwood foi a grande vencedora do Emmy 2017.

6. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Cem Anos de Solidão sintetiza as cores e os dramas da América Latina ao contar a vida de diversos personagens que pertencem à família Buendía. O patriarca José Arcadio funda a fictícia cidade de Macondo, o cenário em que todo o livro se ambienta. Acontecimentos fantasiosos e grandiosos marcam a história dos Buendía – que, por sua vez, também marcam Macondo num ciclo intenso e delicioso.

7. O Sol É para Todos, de Harper Lee

Um dos clássicos da literatura norte-americana do século 20, o romance de Harper Lee mostra por meio da ternura das relações familiares e do cotidiano no interior dos EUA, as profundas rusgas sociais do país por causa da segregação racial. Em O Sol É para Todos, a menina Jean Louise Finch, ou “Scout”, vive o processo de perda da inocência trazida pelo envelhecimento. Enquanto isso, descortina-se diante dela um mundo belo e, ao mesmo tempo, assustador.

8. A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Ambientada em Praga, a história do livro se desenrola entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, e é protagonizada por Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Os quatro buscam experiências e novos caminhos em seus relacionamos e se debruçam sobre os enigmas da existência humana. Ao mesmo tempo, um governo opressor serve como pano como contraponto à liberdade vivida por seus personagens. O romance de Kundera é filosófico, preciso e belo na mesma medida.

9. A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector

A dona de casa G.H. se perturba existencialmente após uma barata ser esmagada em seu quarto. A mulher decide limpar o cômodo e é este acontecimento banal que inicia dentro dela um labirinto de reflexões. Tardiamente, A Paixão Segundo G.H. é considerado um dos principais títulos da literatura brasileira contemporânea.

10. O Apanhador do Campo de Centeio, de J.D. Salinger

O angustiado adolescente Holden Caufield se sente deslocado no mundo. Após ser expulso de uma escola no sul dos EUA, ele vai para Nova York para encontrar seu irmão mais velho. Enquanto caminha pela cidade e interage com outras pessoas, Holden discorre mentalmente a respeito da frustração e indignação que sente a respeito do estado das relações humanas após a Segunda Guerra Mundial.

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