Ativista dos direitos gays, lenda do teatro e Gandalf: a vida de Ian McKellen

PorRafael Nardini 23 de Janeiro de 2018

Poucos atores foram capazes de interpretar personagens tão icônicos quanto Sir Ian McKellen. O artista britânico viveu Gandalf, em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, além de Magneto, em X-Men. Fora tantos outros trabalhos memoráveis, como Sherlock Holmes. Tudo isso depois de dominar a cena teatral durante as décadas de 70, 80 e 90. A história de McKellen vai muito além de um ator que virou rosto conhecido mundialmente depois de mais velho. Ele resolveu dizer ao mundo que era gay somente aos 49 anos — o que, segundo o próprio, mudou a sua vida.

Atualmente com 78 anos, McKellen nasceu na cidade de Burnley, na Inglaterra, mas cresceu na cidade de Wigan. Estudioso, McKellen ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Cambridge. Fez sua estreia na peça A Man For All Seasons, em 1961. A partir dali, sua carreira no teatro decolou: ele se juntou a companhia de teatro de Lawrence Olivier em 1965, em que ganhou mais prestígio e se tornou um dos atores mais famosos de sua geração nos palcos. Ganhou até um prêmio Tony por sua performance em Amadeus, em 1980, na Broadway.

Já renomado, o ator só resolveu dizer ao mundo que era gay aos 49 anos, em 1988, em uma entrevista de rádio para a BBC. E ele se arrepende de ter demorado tanto. “Depois que saí do armário, me senti melhor de todas as maneiras. Eu me senti aliviado que não estava mentindo. Você sabe, quando eu estava crescendo na Inglaterra, não existiam bares gays. Homossexuais eram linchados publicamente e iam para a prisão. Você estava sozinho, alerta a todo momento, torcendo para que em um apertar de mãos de um estranho que aquela pessoa poderia ser gay”, disse em 2012 para a Vanity Fair.

O arrependimento vai além: ele diz que queria ter contado para os seus pais. Sua mãe morreu de câncer quando ele tinha 12 anos e o pai morreu 12 anos depois em um acidente de carro. Apesar de hoje poder dizer que é gay, ele afirma que o preconceito ainda existe no ramo. Ele conta para a Vanity Fair que uma das razões dele ter se tornar o ator foi pelo ambiente mais tolerante com gays. “Eu havia ouvido que poderia conhecer gays. Meus amigos e colegas do teatro profissional sempre souberam, mas não falava para meus parentes”, conta.

Ian McKellen: sucesso após os 60 anos

Dois anos depois, recebeu a Ordem do Cavaleiro, recomendada pela então primeira-ministra Margaret Thatcher. O então Sir Ian McKellen continuou fazendo sucesso no teatro e foi só em 1998, aos 59 anos, que fez sua estreia para valer em Hollywood, com o filme Deuses e Monstros, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Dois anos depois, a fama global chegou de vez ao viver o vilão Magneto, em X-Men, em 2000. Em sequência ganhou o papel de Gandalf, na adaptação de O Senhor dos Anéis para o cinema.

Tendo décadas de sucesso no teatro, ele não liga de ser lembrado como Gandalf ou Magneto. “Eu não acho estranho em ser lembrado por ter interpretado Gandalf. Eu não poderia ser mais feliz. Outras pessoas tendem a ser esnobes por mim: ‘Deve ser ruim sempre ser lembrado como Gandalf’, eles dizem. Bom, eu não posso sempre ser lembrado como Richard III”, conta. Ele diz, inclusive, que não ligaria que tivesse escrito em seu túmulo “aqui jaz Galdalf” — “isso serviria”, afirma.

Desde que saiu do armário, em 1988, McKellen tem lutado pelos direitos LGBTQ. Ele foi o fundador da organização Stonewall, além de ajudar outras organizações como Gay-Glos, The Lesbian & Gay Foindation, THe Albert Kennedy Trust and Families e outras. O trabalho rendeu até um prêmio chamado Freedom of the City, dado pela prefeitura de Londres.

Sua fama como Magneto também ajudou a divulgar sua mensagem. Ele já fez alguns paralelos entre os X-Men e gays: “Mutantes são como gays. Eles são excluídos da sociedade sem uma boa razão”, afirmou ao BuzzFeed.

Leia também

Mais Recentes