A dieta da proteína faz realmente emagrecer?

PorAretha Yarak 16 de outubro de 2017

Apostar no alto consumo de proteínas e reduzir a ingestão de carboidratos. Esse é o objetivo da famosa dieta da proteína, que inclui uma variedade de regimes célebres, como Dukan, Atkins, a paleolítica e a de South Beach. Todas partem do mesmo princípio: comer mais proteína aumenta a sensação de saciedade, e a retirada de carboidratos induz à queima de gordura. A verdade é que esse tipo de dieta até consegue fazer você perder uns quilinhos de maneira rápida, mas cuidado, ela pode trazer riscos à saúde quando feita sem orientação médica.

Em linhas gerais, as dietas da proteína provocam a perda de peso rápido porque a ausência de carboidratos faz com que o organismo queime mais rapidamente suas fontes de gordura. O problema, no entanto, é que esse tipo de regime provoca desânimo, fraqueza, tontura e até alguns pequenos lapsos de memória nos primeiros dias. E isso tudo pode acabar fazendo com que a pessoa desista da dieta logo no início.

“O mais indicado é fazer uma dieta progressiva e que intercale outros protocolos para o corpo ir se adaptando à restrição calórica e nutricional”, comenta Edvânia Soares, nutricionista da Clínica Estima Nutrição.

Como funciona a dieta da proteína

Os alimentos permitidos nesse tipo de dieta são aqueles ricos em proteína: carnes magras, peixes, ovos, abacate, castanhas, nozes, amêndoas folhas escuras, entre outros. Devem ser banidos do cardápio quaisquer tipos de carboidratos, como pães, massas, batatas, feijão, milho, açúcares, refrigerantes e industrializados.

Assim, quando consome uma grande quantidade de proteína, a pessoa provoca um aumento nos índices dos hormônios da saciedade e redução no da fome. Mas é a restrição alimentar a parte chave desse tipo de dieta, já que é ela quem promove a alteração mais significativa no metabolismo do corpo.

Com a privação total de carboidratos, os níveis de glicose (combustível de praxe das células) circulantes no sangue começam a diminuir, fazendo com que o organismo queime gordura como nova fonte de energia. É aí que começa a perda de peso rápida – e também alguns dos riscos desse tipo de regime.

Possíveis riscos da dieta da proteína

Embora algumas evidências demonstrem que a dieta da proteína pode ajudar na perda de peso rápido, ainda não é certo se esse emagrecimento é duradouro. Além disso, alguns levantamentos já começam a emitir alertas sobre os riscos para a saúde do consumo exagerado de proteínas.

Em um estudo recente, cientistas americanos e franceses demonstraram que esse tipo de dieta tende a sobrecarregar o trabalho dos rins, o que, com o tempo, poderia causar lesões irreversíveis. O achado vai de encontro a uma pesquisa anterior, que já havia demonstrado que o consumo elevado de carne vermelha processada está diretamente ligado às doenças renais crônicas.

“É importante frisar ainda que esse tipo de dieta pode se tornar tóxica ao organismo, sobrecarregar alguns órgãos e causar uma série de problemas”, comenta Edvânia. Isso é resultado ocorre do processo de cetose, que ocorre em excesso durante a queima de gordura.

Segundo a nutricionista, isso pode ser percebido pelo surgimento de mau hálito e de um suor com cheiro forte. “A dieta da proteína reduz o porcentual de gordura e ajuda a emagrecer, mas, em longo prazo, tem um efeito negativo no organismo”, comenta Edvânia. Por isso, a recomendação é que ela seja feita por até quinze dias e sempre com acompanhamento médico.

Leia também

Mais Recentes