Entenda como funciona o draft dos esportes americanos

PorPedro Katchborian 19 de setembro de 2017

Quem curte futebol americano, basquete ou outro esporte popular nos Estados Unidos já deve ter ouvido falar no draft da NBA ou NFL, por exemplo. Sem tradução literal por aqui, o draft é basicamente o processo de escolha de jogadores feito pelas ligas profissionais norte-americanas.

O que é o draft da NBA ou NFL?

Lembra quando na escola duas pessoas montavam os times para disputar uma partida na hora do intervalo e escolhiam primeiro os melhores jogadores? É mais ou menos por aí. O draft é um processo seletivo que leva os atletas da faculdade para as equipes profissionais. São os próprios times que selecionam esses jogadores.

Nos Estados Unidos e no Canadá, as principais ligas profissionais do país utilizam o método, como MLB (beisebol), NBA (basquete), NFL (futebol americano), e NHL (hóquei). Japão e Austrália gostaram tanto da ideia que resolveram copiá-la também. Como praticamente tudo que cerca as ligas, o draft costuma ser um evento com bastante glamour, em que os principais jovens atletas do país se reúnem para esperar a escolha. Muitas vezes os atletas não sabem que serão — ou por qual time serão — selecionados.

Como funciona o draft?

Draft 2017

Foto: Divulgação

O método varia de acordo com a liga, mas há algo em comum em todas: os times profissionais escolhem os jogadores que se destacaram nas universidades. Os critérios de elegibilidade de cada atleta mudam dependendo do esporte.

No basquete, um atleta só precisa ficar um ano na universidade para se tornar elegível para o draft. Antes, a passagem pela universidade no basquete não era obrigatória — tanto que atletas como LeBron James e Kobe Bryant fizeram o salto do colegial diretamente para a NBA. Já no futebol americano, o jogador deve estar formando no colegial há três anos para ser elegível e não precisa estar cursando uma faculdade.

Para ficar mais fácil de entender: o astro do basquete Michael Jordan, por exemplo, se destacou durante a liga universitária jogando pela Universidade da Carolina do Norte e foi selecionado pelo Chicago Bulls, um dos 30 times da NBA, em 1984. Ao contrário do que se poderia imaginar, Jordan não foi o primeiro a ser escolhido no draft daquele ano, mas o terceiro. Às vezes, a carreira profissional do atleta acaba decolando mesmo ele não sendo a primeira escolha. Naquele ano, Houston Rockets e Portland Trail Blazers eram os dois primeiros a selecionarem e deixaram Jordan passar por precisarem de jogadores de outras posições. E quem se deu bem nessa foi o Chicago Bulls.

Talvez o melhor exemplo disso seja Tom Brady — também conhecido no Brasil como o marido da Gisele Bündchen –, que foi selecionado apenas na 199ª posição pelo New England Patriots, um dos 32 times da NFL, no draft de 2000 e hoje é um dos maiores campeões no esporte.

E os atletas estrangeiros no draft?

Embora a maioria dos atletas selecionados venham de universidades americanas, jogadores que se destacam em outros países também são selecionados para as ligas profissionais. Um exemplo é o brasileiro Nenê Hilário, que foi selecionado como 7ª escolha do draft de 2002 pelo New York Knicks. O atleta foi trocado depois  por outro com o Denver Nuggets. No caso dos jogadores de fora dos Estados Unidos, todos acima de 22 anos já são elegíveis para o draft da NBA e podem ser escolhidos sem se inscrever para o processo, mas menores de 22 anos precisam de inscrição.

Embora não exista uma tradição de selecionar atletas estrangeiros na NFL, em 2016 isso aconteceu: o alemão Moritz Böhringer se tornou o primeiro jogador estrangeiro a ser selecionado sem nunca ter jogado futebol universitário nos Estados Unidos. Na MLB, liga de beisebol, atletas que nunca frequentaram universidades nos Estados Unidos, Canadá ou Porto Rico não são elegíveis para o draft.

Em qual ordem os times escolhem?

Um dos principais itens em relação ao draft é a ordem de escolha. Para valorizar a competitividade, a ordem se dá pela campanha dos times na temporada anterior. Na NBA, por exemplo, as equipes com pior campanha têm mais chance de escolher primeiro — é feito um sorteio entre os times que não se classificaram para os playoffs — processo semelhante ao da NHL, liga de hóquei. No futebol americano (NFL), por sua vez, não há sorteio: o time com pior campanha escolhe primeiro, o campeão escolhe por último e assim por diante.

Quantas escolhas cada time têm?

Mais uma vez, depende da liga. Na NBA, são apenas 60 (2 para cada time). Muito menos se formos olhar as 224 escolhas da NFL (7 para cada equipe). É muito comum os times negociarem suas escolhas. Como são valiosas, as seleções no draft podem ser utilizadas em trocas envolvendo jogadores que já estão na liga. Por exemplo, uma equipe pode trocar um jogador por uma (ou mais) escolhas do draft de anos futuros (2018 ou 2019, por exemplo). Ter mais escolhas é um jeito de apostar em atletas mais novos e tentar garantir o futuro das equipes a longo prazo. No entanto, há quem considere um risco pois não se sabe se os jogadores disponíveis no draft daquele ano irão se adaptar ao esporte profissional.

Também é possível subir no draft — ou seja, conseguir uma posição de escolha melhor do que a original do time. Por exemplo, em 2017, o Chicago Bears tinha a 3ª escolha geral do draft da NFL, enquanto o San Francisco 49ers tinha a 2ª escolha. Temendo que os 49rs pudessem escolher o jogador que era de seu interesse — o quarterback Mitchell Trubisky –, a equipe de Chicago fez uma troca com a equipe de 49rs: os Bears ficaram com a segunda escolha, enquanto os 49ers ficaram com a terceira. Em troca, além da 3ª escolha da primeira rodada, o San Francisco 49ers ficou com a escolha de Chicago da terceira rodada (67ª no geral), quarta rodada (111ª no geral) e a da terceira rodada de 2018 — todas originalmente dos Bears.

Ou seja, os times podem negociar suas posições no draft, ou para escolher aquele atleta que é uma promessa ou para conseguir trazer um jogador profissional que tenha se destacado do oponente. Esse tipo de troca é comum em todas as ligas de esportes norte-americanos.

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