O poder de transformação do PSG: inspirando Paris e transpirando Brasil

PorFelipe Solari 21 de agosto de 2018

Eu digo que o PSG tem um poder transformador para os atletas brasileiros. Pensa aí: Raí, Ronaldinho Gaúcho, Ricardo Gomes, Abel Braga… Grandes jogadores em campo, mas muito além disso — pessoas com grande personalidade fora dele. Abel Braga é um dos caras mais esclarecidos do futebol, assim como o Ricardo Gomes. O Raí virou uma referência, enquanto o Ronaldinho é esse cara que conhecemos. Os parisienses sabem que o brasileiro é a representação do talento a ser lapidado no futebol e por isso fazem questão de ter vários em seu elenco. Vai o nosso talento, que se inspira em Paris e nasce um craque ainda maior. Até aqui, os brasileiros que jogaram pelo PSG passaram por uma transformação técnica, tática, pessoal e cultural quando jogaram na capital francesa. É uma troca que tem dado muito certo. É o que vamos poder acompanhar de perto, vendo os próximos passos de Neymar e sua busca para se reerguer após o Mundial da Rússia.

Aliás, até o Rei Pelé quase desembarcou por lá depois da Copa de 70 — seria a primeira contratação bombástica do Paris Saint-Germain, pouco tempo depois de o clube surgir. Vai vendo o amor que eles têm pelo nosso futebol. Seria a cidade ideal para ele expandir o seu reino, mas acabou ficando por aqui. Que sorte a nossa! Já nos anos 70, sem poder contar com Pelé, o PSG acabou levando outro campeão mundial, de menos expressão: Joel.

A verdade é que a equipe nunca esquece do Brasil, mas transpira Paris. A moda, a pompa, o clube da capital francesa: a nova camisa 2, por exemplo, branca com detalhes dourados (aliás, tem alguma camisa mais bonita que essa na temporada 2018-2019?), traduz um pouco do que o clube quer passar: um time de futebol que simboliza cada vez mais a sua cidade-sede e a França como um todo. As próprias contratações, o ataque, o time… Para este ano, mais uma contratação bombástica: Buffon, o maior craque do gol.

E esportivamente? Eu acredito no PSG. Quando colocamos no papel, a porta está aberta para o Paris Saint-Germain ser o novo dono da Europa. Mbappé, Cavani, Neymar, Buffon, Dani Alves. Não é fácil levar o maior título do continente, é claro, isso fica sempre no imponderável. Mas com certeza é um dos três candidatos ao título.

Para mim, se o PSG quiser levar títulos grandes, precisa confiar em seus atletas de sangue latino. Os brasileiros, é claro, mas também Cavani. Ele é meu jogador favorito desde a época em que jogava na Itália e representa bem o espírito guerreiro, sempre com o mate na mão, bem low profile. O Cavani não tem o cabelinho da moda nem nada. Mas faz gols como ninguém nunca foi capaz em Paris e nem pelo PSG. O PSG é Brasil, mas bem que poderia ser Uruguai: guerreiro e com muita garra para ganhar.

A realidade é que o Paris Saint-Germain é o time mais pop do momento, mas é bom não cair nessa: essa mistura da pompa francesa com a brasilidade tem tudo para dar certo novamente. E é por isso que eu acho o PSG uma das histórias mais legais da Europa.

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