O que é e como funciona o Tour De France, a competição mais tradicional do ciclismo

PorLucas Borges 19 de junho de 2018

Todos os anos, tradicionalmente no mês de julho, uma multidão de bicicletas se arrisca por estradas íngremes em paisagens deslumbrantes da Europa Central, em busca da sonhada camisa amarela. É o Tour de France, competição mais tradicional do ciclismo mundial. Conheça mais sobre mais esse verdadeiro símbolo do esporte.

História e etapas do Tour de France

O primeiro Tour de France aconteceu em 1903, como uma forma de promover o jornal ‘L’Auto’. A ideia deu muito certo e com exceção dos períodos em que foram travadas a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, o Tour foi disputado em todos os anos desde então.

Junto com a Vuelta de Espanha e com o Giro d’Italia, forma a tríade das grandes competições ciclísticas do planeta. A versão francesa é inegavelmente a mais conhecida e a mais tradicional das três.

O Tour acontece ao longo de 21 etapas, majoritariamente pela França. Em algumas edições, o percurso passou por países vizinhos, como Bélgica, Itália, Espanha, Alemanha, entre outros.

Em 2018, em sua 105ª edição, 176 competidores de 22 diferentes equipes foram inscritos para percorrer 3.329km ao longo de 23 dias, com uma breve passagem pela Espanha. O equivalente a uma viagem de Porto Alegre a Aracaju. Antigamente, os atletas pedalavam de forma ininterrupta, de dia e à noite, sem ajuda externa. Alguns deles chegavam até mesmo a dormir na beira da estrada. Hoje, eles ganham dois dias de descanso entre o período de disputa e têm o apoio de uma equipe que fornece informações, alimento, água, assistência mecânica e médica.

Em média, mais de 180 países assistem à competição através da transmissão de uma centena de canais de TV, com audiência 3,5 bilhões de pessoas anuais. Estima-se que a economia de cada cidade que recebe o Tour seja movimentada em cerca de R$ 450 milhões por ano e que 12 milhões de pessoas saiam às ruas para ver as bicicletas de perto.

As etapas do Tour dividem-se entre as de resistência, quando os competidores se desafiam em percursos mais longos, podendo encarar subidas de até 2,8 mil metros nos Alpes, e as de contra-relógio, de maior velocidade, quando cada ciclista larga separadamente para completar um determinado trecho.

Vence o Tour de France o atleta que encerrar as 21 etapas e chegar na Champs Élysées, em Paris – tradicional ponto de encerramento do torneio -, com o menor tempo acumulado, recebendo de forma definitiva a camisa amarela – cor do jornal ‘L’Auto’, que idealizou a prova. Além desta, porém, existem outras almejadas camisas que representam diferentes metas na competição.

As camisas do Tour de France

A camisa amarela é entregue a cada etapa para o ciclista que acumula o menor tempo de encerramento dos percursos e o campeão é aquele que a recebe ao final do Tour, debaixo do Arco do Triunfo, na capital francesa.

E existe também a camisa de bolinhas vermelhas, dada ao atleta que soma mais pontos nas metas de montanha, nas grandes subidas. A camisa verde indica o ciclista de maior explosão e que acumula mais pontos conseguindo os sprints mais rápidos. E a camisa branca corresponde à camisa amarela, mas reservada para competidores mais jovens, de até 25 anos.

Quatro pessoas dividem o posto de maiores vencedores da história do Tour, com cinco títulos cada um: os franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, hegemônicos entre os anos 1950 e 60 e 1970 e 80, respectivamente; o belga Eddy Merckx, vitorioso entre os anos 1960 e 70; e o espanhol Miguel Indurain, pentacampeão consecutivo entre 1991 e 1995.

Recentemente, o britânico Chris Froome surgiu como forte concorrente ao posto de recordista de títulos do Tour, ao vencer as edições de 2013, 2015, 2016 e 2017. O norte-americano Lance Armstrong fez história ganhando sete troféus do Tour entre 1999 e 2005, mas perdeu todas as honrarias e foi banido do esporte devido ao uso de doping.

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