O que aconteceu com o Brasil na Fórmula 1?

PorPedro Katchborian 22 de Janeiro de 2018

Há uma década era comum acordar um pouquinho mais cedo aos domingos para acompanhar a corrida daquele dia na Fórmula 1. Em 2007, o motivo de colocar o despertador em pleno domingo era Felipe Massa, que brigou pelo título do mundial — Kimi Raikkonen acabou vencendo. Naquele ano, o brasileiro ganhou três corridas. Pule para 2017: Massa é o único representante brasileiro na categoria, mas está longe de disputa por título: a melhor colocação que conseguiu foi um 6º lugar. O que aconteceu com o Brasil na Fórmula 1?

O ano de 2017 foi marcante para o Brasil no automobilismo, mas de maneira negativa. Dores de cabeça impediram Massa de correr o GP da Hungria, deixando o país sem ninguém no grid da Fórmula 1 desde 1982. Número mais impressionante ainda é o tempo que estamos sem ocupar o lugar mais alto do pódio: em 6 de junho de 2016, o Brasil alcançou seu maior jejum ao completar 2.458 dias — 7 anos (que já se tornaram 8) — sem vitória. A última foi de Rubens Barrichello, que ganhou o GP da Itália em 2009.

Mas o que aconteceu com um país que já foi tão tradicional na categoria? Livio Oricchio, do GloboEsporte.com, diz que há um fato mais assustador do que o tempo em que o Brasil está sem títulos (26 anos) e vitórias: “a ausência de perspectiva de o Brasil ter um piloto, a curto prazo, em condição de pensar em vitória novamente”.

Brasil na Fórmula 1: os motivos para o fracasso

O primeiro motivo para a fase ruim do país na categoria são os poucos representantes na base. Oricchio explica que há poucos representantes brasileiros nas categorias de formação. Os pilotos brasileiros de maior destaque na GP2 e GP3 — categorias que costumam servir de trampolim para a F1 — são Sérgio Sette Câmara, Pedro Piquet, Pietro Fittipaldi e Vitor Baptista. O especialista diz que esses representantes nas categorias de base ainda tem “muito o que provar”.

Outro motivo que pode explicar a seca de glórias na Fórmula 1 foram as mudanças no automobilismo. Se antes o êxito de uma equipe dependia quase que totalmente do piloto, atualmente é um pouco diferente. “O peso do talento do piloto no sucesso diminuiu. E o pedo desses profissionais técnicos, que antes não existiam ou influenciava bem menos, cresceu exponencialmente”, afirma.

A mudança no processo de seleção dos pilotos é apontado como mais uma razão para o insucesso brasileiro. “As corridas de automóvel hoje selecionam pilotos que tenham a capacidade de buscar ser o mais rápido possível ao mesmo tempo que interferem nos comandos do veículo para tirar ainda mais velocidade”, explica. Ou seja, pilotos devem estudar o que existe no carro e cada recurso que ele oferece.

Um fator importantíssimo para que o jejum de vitórias só aumente é o menor interesse do brasileiro no esporte. “A ausência do ídolo, como havia no passado, depõe contra a popularização da F1 no Brasil”, conta. O investimento é menor, já que poucos se arriscam a colocar dinheiro em um esporte que não tem apelo com a nova geração. Por último, o especialista coloca a gestão da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) como um dos principais problemas.

Brasil na Fórmula 1: sem representantes em 2018?

O ano de 2018 não mostra muitas perspectivas de vitórias para os brasileiros na Fórmula 1. Aliás, o país pode ficar sem nenhum representante na categoria. Felipe Massa ainda não sabe se estará na categoria no ano que vem — ele tem a concorrência de Robert Kubica e Paul Di Resta para continuar na Williams.

Já Felipe Nasr, que perdeu a vaga na Sauber neste ano, quer voltar em 2018 e já se mostrou preocupado com o futuro do país na Fórmula 1. “Claro que é uma preocupação. Eu também estou preocupado com a geração mais jovem, porque o Brasil tem uma parte importante na história da Fórmula 1. Nós simplesmente não podemos deixar esse legado se perder. Tenho certeza que o país vê assim. Não devemos parar de encontrar novos pilotos para subir à Fórmula 1”, afirmou .Nasr até começou bem na categoria, mas agora busca um carro para competir em 2018. Segundo o piloto, “é questão de tempo” para que surja algo.

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